Curso Adaptação das cidades à Emergência Climática

Data: 25/03/2023
Local: Escola da Cidade e IABsp – Rua Bento Freitas, 306 – 1º andar – Vila Buarque
Horário: 9h-12h
Investimento: Curso Gratuito
Formato: online, com uma aula-debate presencial (conclusão de curso)
Carga horária: 30h
Vagas: 25

Ementa

A partir das reflexões e debates que formaram os eixos temáticos do II Seminário Emergência Climática e Cidades, realizado pelo Grupo de Trabalho Clima e Cidade, do IAB cristaliza-se o cenário de dualismo no combate aos efeitos da mudança climática, já abordado pela bibliografia vigente: mitigação e adaptação

De um lado, as ações para mitigação das causas do aquecimento global mobilizam não apenas ativistas, profissionais de advocacy e setores governamentais, mas, em específico nas temáticas urbanas, mobilizam as frentes de inovação da construção civil. Temas como a descarbonização, economia circular, ESG, entre outros, ainda são raros nas estruturas curriculares dos cursos de arquitetura e de urbanismo. Este curso é uma proposta experimental e empírica de se debruçar sobre o desafio de colocar a temática climática no vocabulário da arquitetura e do urbanismo, ao mesmo tempo que vem de forma a operacionalizar a demanda urgente de adaptação das cidades ao novo paradigma climático.

A proposta é de um curso livre para gestores urbanos, com enfoque na reflexão sobre os desafios das políticas urbanas de adaptação climática, e a criação de ferramentas que facilitem o desenvolvimento de planos, mapeamento de indicadores e desenvolvimento de projetos de adaptação. O tema do trabalho final serão estudos de caso relacionados com a problemática profissional dos estudantes.

O curso é voltado para gestores urbanos, tanto do setor público quanto do privado, e será oferecido gratuitamente, com seleção baseada em uma carta de interesse e no envolvimento do candidato com o tema. O curso terá como enfoque entender e dar suporte técnico, conceitual e metodológico à projetos de adaptação climática urbana para quadros de gestores envolvidos no projeto.

Metodologia

Sessões de 3h de aula, com 1h30 de aula expositiva, seguida de intervalo e dinâmica de atendimento coletivo para estruturação de metodologia. Objetivo: desenvolvimento de molduras técnicas e administrativas para a realização de projetos e planos de adaptação climática urbana voltada para problemáticas reais trazidas pelos gestores participantes.

Ministrante

Grupo de Trabalho Clima e Cidade e Escola da Cidade
Professores Monitores: Beatriz Vanzolini Moretti, Cristiane Amaral, Lara Torres, Luiz Florence
Palestrantes confirmados: Laís Avelino, Vanessa Hasson, Jordana Zola

Luiz Florence
Graduado em arquitetura e urbanismo (FAU USP, 2004), dedicou-se principalmente às áreas de projeto de arquitetura e gerenciamento de projetos. Como arquiteto, atuou com a FGMF Arquitetos (São Paulo) e com o Grupo Metrópole Fluvial, coordenado pelo professor Alexandre Delijaicov. Sócio do 23 SUL desde 2006, coordenou projetos distintos, como o projeto de segurança viária “Área 40” em São Miguel Paulista (2016), os terminais de BRT de São Bernardo do Campo e a urbanização para o Subsetor A1 da Operação Urbana Água Branca (2015). Entre 2012 e 2015, trabalhou na equipe de assessoria técnica na obra da ampliação do Aeroporto de Viracopos (Campinas), onde adquiriu experiência no ramo aeroportuário. Posteriormente, tornou-se coordenador geral de projetos do novo terminal do Aeroporto de Florianópolis, junto à construtora Racional Engenharia, e é gerente de projetos na gerenciadora Turner & Townsend.

É membro fundador do GT Clima e Cidade, e organizou o I e II Seminário Emergência Climática e Cidades, e foi Co-curador do Seminário Cultura e Realidade Contemporânea – Arquitetura e Urbanismo como Ciências Ambientais – na Escola da Cidade.

Concluiu seu mestrado em História da Arquitetura (FAU USP, 2014) e, e seu doutorado em 2021, com foco em infraestruturas rodoviárias. Foi professor de História da Arquitetura e Urbanismo na Universidade São Judas Tadeu.

Beatriz Vanzolini
Beatriz Vanzolini Moretti possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Escola da Cidade (2009) e concluiu, em 2019, uma Pós-Graduação lato sensu em Arquitetura, Educação e Sociedade. Mestranda em Políticas Públicas pelo Insper. Integra a diretoria de educação, formação e práticas profissionais do Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento São Paulo (IAB-sp), na gestão 2026–2028. Desde 2020 é coordenadora de ensino no Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, onde também foi professora na Educação Executiva e na Graduação, de 2017 a 2021. É professora da Escola da Cidade desde 2018, coordenando os Seminários de Cultura e Realidade Contemporânea, assumindo, em 2026, a coordenação de Vivência Externa. Desenvolve projetos pelo Conselho Socioambiental, com destaque para a coordenação da Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, a ser lançada na Pré-COP, em Belém do Pará. É coautora do livro Aprendendo a Viver na Cidade (2018), vencedor do prêmio de destaque na XXI Bienal de Arquitectura de Chile (2019).

Lara Torres
Mestranda em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, na linha de pesquisa Conforto Ambiental, Eficiência Energética e Ergonomia. Atuou no Projeto de Reabilitação Urbana e Ambiental (R.U.A.). Integra o GT Clima e Cidade do IAB-SP  e exerce, desde de 2026, o cargo de Diretora Adjunta de Território, Clima e Sustentabilidade.

Jordana Zola
Arquiteta e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde concluiu mestrado na área Projeto, Espaço e Cultura e doutorado na área de Projeto de Arquitetura/ Arquitetura e Cidade. Pós-doutora pelo Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas/ Engenharia Ambiental e Urbana da Universidade Federal do ABC, associada ao Grupo de Pesquisa Impressão 4D e Biomimética. Arquiteta Titular em Transversal Escritório de Arquitetura e UrbanismoLtda, (desde 2006), onde desenvolve projetos de reestruturação urbano-ambiental e estudos técnicos para infraestruturas territoriais.

Autora do livro Várzea do Tietê: Projeto e Urbanização Marginal.

Representante da Sociedade Civil pelo IAB no Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, com atuação na Câmara Técnica de Planejamento e Gestão, onde foi coordenadora do Grupo de Trabalho Consultas Ambientais (2023-2025), responsável pela elaboração dos pareceres técnicos de impacto de grandes empreendimentos nos recursos hídricos do Alto Tietê.

Consultora Técnica para Implementação de Soluções Baseadas na Natureza para Adaptação Inclusiva das Periferias Urbanas às Mudanças Climáticas, no Departamento de Prevenção e Mitigação de Risco da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades.

Laís Avelino

Arquiteta e urbanista formada pela USJT, especialista em Urbanismo Social – Gestão Urbana, Políticas Públicas e Sociedade pelo Insper e pós-graduada em Cidade em Disputa – Pesquisa, História e Processos Sociais pela Escola da Cidade. Foi conselheira no Conselho Participativo Municipal (2022–2024). Com atuação voltada à participação social e ao desenvolvimento urbano em territórios periféricos.

 

Programação aula a aula

Aula 01 – Cidades e Adaptação Climática: No módulo inicial, serão apresentados os conceitos iniciais de adaptação, resiliência, eventos climáticos extremos, justiça climática, racismo ambiental, entre outros elementos de glossário climático relevantes. Serão abordados, do geral para o particular, os elementos debatidos pela comunidade internacional de pesquisadores, ativistas, profissionais de advocacy, membros de órgãos públicos e demais atores da pauta climática, e como este assunto recai nas tramas urbanas. Serão analisadas as políticas públicas, em esferas federais, regionais e municipais, no enfrentamento da crise climática. Em específico os Planos de Ação Climática serão abordados, e serão mapeados os desafios a serem superados nas cidades do Sul Global, no contexto das mudanças climáticas e eventos extremos.

Aula 02 – Marcos legais e politicos para a cidade e o ambiente: Este módulo deve apresentar os principais marcos e agendas que regulamentam as políticas ambientais e urbanas, em nível nacional e internacional, considerando o contexto das cidades brasileiras. O objetivo é discutir sobre a urgência de integração entre as ações ambientais e urbanas, considerando seu alcance frente à necessidade de novas formas de gestão e financiamento. Através de breve recuperação da evolução das políticas ambientais – da preservação à adaptação – deve-se traçar um paralelo com a evolução da agenda urbana, para equalização das condições de vida na cidade, a partir das formas institucionalizadas de participação. A avaliação dos instrumentos Planos Diretores e Planos de Ação Climáticos será realizada, a partir de experiências concretas, para demonstrar as dificuldades de implementação efetiva de uma agenda urbano-ambiental nas cidades.

Aula 03 – Justiça Climática: Neste módulo, em formato de aula aberta e integrada entre os cursos de mitigação e adaptação, serão abordados os temas transversais de justiça climática e racismo ambiental, de modo a tecer uma revisão crítica das temáticas de combate à mudança climática, problematizando os processos históricos de transformação das cidades e os efeitos da mudança climática, demonstrando as discrepância entre setores sociais no acesso a moradia fora das áreas de risco, transporte e mobilidade resiliente à eventos climáticos extremos, e os impactos da mudança climática nos ambientes de trabalho e serviços públicos urbanos. As estratégias de mitigação e adaptação serão comentadas por palestrantes convidados, do ponto de vista das populações historicamente desfavorecidas, e os desafios para que as políticas públicas urbanas possam de fato tornarem-se efetivas e inclusivas.)

Aula 04 – Morar em risco: Este módulo abordará os desafios de garantir o habitat adequado para a população urbana, levando em consideração os desafios impostos pelas situações de moradia em locais de risco, enquanto reprodução de políticas públicas e ações de especulação excludentes. A produção habitacional tem centralidade no debate da adaptação das cidades ao novo paradigma ambiental. Há tanto um déficit quantitativo quanto qualitativo do morar no Brasil. O risco que se produz nas periferias e áreas ambientalmente frágeis afeta específica e majoritariamente populações historicamente excluídas, com claros cortes econômicos e raciais. Nesse sentido, pensar a adaptação das cidades; modelos de intervenção que superem os atuais, muito orientados à remoção; a inclusão da experiência de pessoas que vivem nesses locais, pesquisando e desenvolvendo soluções; e a vinculação da segurança habitacional às políticas ambientais surgiram como pontos estratégicos.

Aula 05 – Infraestrutura e Meio Ambiente: Este módulo deve explorar o papel dos sistemas infraestruturais na conformação do ambiente urbano, sua relação com a geografia e atividades econômicas. A partir de uma perspectiva histórica do papel dos sistemas construídos, pretende-se uma abordagem multiescalas do projeto urbano-territorial e de seu impacto ambiental. O foco deste módulo é a transição entre as chamadas infraestruturas convencionais/ cinzas e as infraestruturas verdes e azuis, considerando, também, as possíveis formas de assentamento que desenham. As formas cristalizadas de produção do espaço urbano, associadas à infraestrutura convencional, serão contrapostas a processos alternativos de manejo do ambiente e conformação fundiária, representados pelas infraestruturas verdes e azuis/ SBN. Também serão abordados os impasses que as estruturas que regulam e fomentam a produção da infraestrutura convencional apresentam para novos paradigmas climáticos e formas de organização social alternativas.

Aula 06 – Cidade e as águas: resiliência, SBNs, cidades esponja: Este Módulo abordará a infraestrutura urbana ligada à saneamento, o uso múltiplo das águas e a reintrodução da natureza enquanto parte da infraestrutura urbana. A partir da diversidade e das especificidades dos diferentes biomas nacionais, as alternativas de implementação de soluções baseadas na natureza (SBN) serão destacadas como elemento potencial de transformação estrutural da paisagem e das condições de vida das populações urbanas. Será discutida a necessidade de criação de um novo repertório de soluções sociotécnicas, em especial para o campo da arquitetura e do urbanismo. As pesquisas e aplicações apresentadas demonstram como a integração entre a participação comunitária, os saberes locais e novas tecnologias podem contribuir, significativamente, para novas alternativas de construção e manejo da paisagem.

Aula 07 – Mobilidade urbana adaptada: A crise climática trouxe à tona não apenas os desafios enfrentados pelos gestores de transporte público frente aos efeitos dos eventos climáticos extremos, mas, acima de tudo, expôs o problema central da conformação urbana, que materializa as desigualdades sociais crônicas na cidade. Criar uma política urbana que garanta a mobilidade democrática pelas grandes metrópoles do mundo é um desafio que se torna cada vez mais agudo, quando os problemas do clima aumentam ainda mais o abismo de infraestrutura, tanto em micro quanto em macromobilidade, para as franjas urbanas e grandes centros. O foco das análises deve ser duplo, em mitigação e adaptação dos sistemas de transporte público.

Aula 08 – Financiamento climático: programa, proposta, projeto: Neste módulo, será feita uma revisão crítica do cenário atual de recursos aportados para políticas urbanas, sejam elas ligadas a bancos multilaterais e de investimento, ou pelos orçamentos alocados junto aos órgãos públicos de políticas urbanas, nas esferas municipais, estaduais e federais. Serão abordados estudos de caso de cidades e entidades de gestão urbana, e os estágios relacionados às políticas de adaptação. Será discutida a taxonomia dos investimentos em adaptação climática e os desafios de financiamento: desde as limitações à capacidade de investimento dos cofres municipais ao desafio de adequação de prazos de projeto com políticas públicas emergenciais.

Aula 09 – Atendimento final aos participantes e avaliação dos trabalhos em etapa final de desenvolvimento

Aula 10 – Aula debate com gestores públicos e prefeitos convidados. Evento a ser realizado na Sede do IABsp, em parceria com a Escola da Cidade.

Condições de inscrição

Cláusula 1: A confirmação da inscrição da/o estudante se dará apenas após comprovação de pagamento via plataforma INTI.

Cláusula 2: A realização do curso se dará mediante a inscrição mínima de 10 pessoas. caso isso não ocorra, o IABsp irá restituir o valor das inscrições realizadas em até 30 (trinta) dias após o envio dos dados pela/o estudante.

Cláusula 3: São aplicadas a desistências as seguintes regras:

a) A desistência da/o estudante deverá ser formalizada mediante requerimento para o e-mail cursos@iabsp.org.br juntamente com o envio dos dados bancários e CPF.

b) Se a desistência ocorrer em até 24 (vinte quatro) horas de antecedência ao início do curso, o IABsp restituirá 80% do valor total do curso.

c) Iniciado o curso, não será mais possível fazer o cancelamento da inscrição, e o IABsp não irá restituir o valor pago.

Cláusula 4: O IABsp reserva o direito de cancelar ou adiar a realização dos cursos até a data marcada para o seu início, comunicando o fato à/ao estudante já inscrito. no caso de cancelamento, a/o estudante será reembolsado da importância paga no prazo de 15 (quinze) dias úteis a contar da comunicação do cancelamento do curso.

Cláusula 5: O IABsp não se responsabiliza por problemas técnicos de internet das/os inscritos. ao estudante cabe garantir uma boa conexão para acompanhamento das aulas.

Cláusula 6: Só poderão se inscrever maiores de 18 anos de idade.

Cláusula 7: Será concedido certificado digital de participação para os alunos que tiverem, no mínimo, 75% de presença nas aulas.

Cláusula 8: Ao enviar se inscrever a/o estudante concorda com as cláusulas apresentadas anteriormente.

Próximos cursos

Ainda não temos novos cursos marcados.